O número de deputados vs as condições a dar-lhes?


Faz sentido alterar o número de deputados à Assembleia da República como alguns (por exemplo: o actual presidente do PSD ) opinam?

Entendo que faz sentido pensar e discutir sobre a forma como somos representados pelo poder político. Porém ter uma discussão pensada é bem diferente de simplesmente dizer algo que “soa bem” a alguns para angariar simpatias – posição que não considero, de todo, aconselhável.

Assim, e porque como dizia faz sentido pensar sobre o tema, entendo que faz sentido fazer algumas perguntas que melhor enquadram, e dessa forma enriquecem a discussão, e englobaria –as em 2 âmbitos: por um lado proximidade da população ao deputado e sua forma de eleição, e por outro a valorização do cargo.

Concretizando:
Vivemos em democracia, mas os candidatos a deputados são escolhidos em lista fechada – decidida dentro dos partidos; e a vida interna partidária… bem, “c’est pas la vie en rose”... e proporciona exclusões e inclusões que pouco terão a ver com a opinião pública. O que podíamos/devíamos fazer?
A resposta a esta questão enquadra-se na perfeição naquilo que já escrevia aqui (click para aceder), resumindo: faria sentido que no momento da eleição os cidadãos escolhessem o partido (como actualmente), e de seguida o elemento desse partido que queriam que os representasse; com o voto electrónico seria facílimo implementar esta opção.

Qual o número de deputados ideal?
Creio sinceramente que será a resposta mais difícil de obter, e isto pela (presumível) desonestidade intelectual de quem possa argumentar sobre o tema. Ainda assim creio que faz sentido assentar uma discussão deste género em algo mensurável, sendo desaconselhável o “parece-me que seria melhor assim”. Ainda assim entendo que esta questão se enquadra ou deve ser analisada com a seguinte – “Estamos a dar condição aos deputados para fazer o seu trabalho?”

Estamos a dar condição aos deputados para fazer o seu trabalho?
Acredito na valorização do trabalho e intervenção de cada deputado. Acredito que para isso o mesmo deveria ter condições, e aqui refiro-me não a ordenado ou regalias, mas sim a meios – humanos e materiais, para as suas funções.

Note o leitor: um deputado deve(ria) cumulativamente:
  • ler, estudar e aprofundar com pesquisas realizadas por si toda a documentação que passa na A.R.;
  • estar actualizado sobre as diferentes matérias que saem na imprensa e são falados na opinião pública;
  • deslocar-se a pelo país para tomar conhecimento de condições “no local”;
  • estar presente em eventos, debates e conferencias;
  • receber cidadãos, ou instituições, que assim o solicitem;

Para terminar, deve(ria)
  • formular as suas próprias propostas para submeter à discussão;

Ora, isto para ser bem feito dá (horas de) trabalho.    
Objectivamente o que entendo é que faz sentido pensar se cada deputado(a) poderia/deveria ter um “mini-gabinete” (uma pequena equipa de 2/3 elementos designados por si, e a trabalhar consigo) de forma a melhor dosear a carga de trabalho com o nível que se exige. Mais do que muitos, parece-me adequado que tenham capacidade de trabalho (horas de trabalho a distribuir pela sua equipa). 

Os actuais círculos eleitorais são os mais adequados?
Apesar de se dizer habitualmente que votamos no líder do partido que queremos ver no governo, votamos é em deputados desse partido no nosso círculo eleitoral, e é da organização interna dos partidos que se decide a liderança.
Ora, se o leitor perguntar a amigos e familiares que não façam politica activa, quantos deputados pelo seu distrito consegue a pessoa indicar, qual a resposta mais comum? E, mesmo que resposta não seja zero, e  se não contar com os cabeças de lista de cada partido (que habitualmente aparecem nos cartazes)?


Não creio que esta seja uma discussão para se ter de ânimo leve.